sexta-feira, 24 de agosto de 2012

COMBATE A HEPATITES VIRAIS


Saúde repassa R$ 30 milhões para hepatites virais

Nessa primeira etapa, 22 estados e o Distrito Federal receberão R$ 9 milhões para ações de controle da doença no Brasil em 2012

Começa nesta sexta-feira (23), o envio, aos estados e DF, de recursos específicos para enfrentamento das hepatites virais no ano de 2012. A verba é destinada a iniciativas de prevenção, vigilância, gestão e parceria com a sociedade civil. O compromisso foi assumido pelo Ministério da Saúde em dezembro de 2011, na Portaria nº 2.849 e o repasse deste ano será realizado em três parcelas – para a primeira fase, já foram liberados R$ 9 milhões.

“Trata-se de mais um instrumento que reforça o empenho do governo federal no enfrentamento dessas doenças”, enfatiza Dirceu Greco, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. O cálculo da distribuição foi feito a partir de critérios epidemiológicos e de população. A escolha dos municípios prioritários e o valor destinado a cada um deles foi pactuado entre os gestores locais, em comissão bipartite.

O próximo passo para os estados já contemplados é a elaboração da Programação Anual de Metas (PAM), que deve conter como e onde serão investidos os recursos repassados.

Após a publicação da Portaria nº 2.849, em dezembro do ano passado, 14 estados se habilitaram e já passaram a receber o financiamento correspondente ao ano de 2011 da ordem de R$ 16,4 milhões. A este recurso somam-se R$ 30 milhões destinados para 2012.

Repasse para controle das hepatites virais no Brasil

_______________________1ª parcela de 2012        Total de 2012 (em R$)

Acre                                          58.948,33                  176.845,00

Amazonas                               283.825,67                  851.477,00

Amapá                  em processo de habilitação           163.614,00

Maranhão                              545.054,00                 1.635.162,00

Mato Grosso                         283.999,67                    851.999,00

Pará                                      638.026,33                  1.914.079,00

Rondônia                              141.871,00                     425.613,00

Roraima                                  37.105,33                    111.316,00

Tocantins                              120.212,00                     360.636,00

Alagoas                                160.614,67                      481.844,00

Bahia                                   761.544,33                    2.284.633,00

Ceará                       liberação em andamento           1.350.614,00

Espírito Santo                     202.156,00                       606.468,00

Goiás                                  342.686,33                    1.028.059,00

Minas Gerais                   1.123.578,00                    3.370.734,00

Mato Grosso do Sul            136.225,33                       408.676,00

Paraíba                               202.504,00                        607.512,00

Pernambuco                        478.733,00                     1.436.199,00

Piauí                      liberação em andamento                 496.486,00

Rio de Janeiro                     938.540,33                    2.815.621,00

Rio Grande do Norte          173.690,67                        521.072,00

Sergipe                               110.880,67                        332.642,00

Paraná                                 372.795,33                    1.118.386,00

São Paulo                         1.518.717,33                    4.556.152,00

Distrito Federal                    91.576,67                        274.730,00

Rio Grande do Sul               382.415,33                    1.147.246,00

Santa Catarina liberação em andamento                       672.185,00

Total                                 8.991.108,34                  30.000.000,00
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Fonte: Programa Nacional de DST AIDS e Hepatites Virais

domingo, 29 de julho de 2012

Diabete:


O Chá de Pata de Vaca e o Diabetes

O famoso Chá de Pata-de-Vaca talvez seja um dos tratamentos alternativos para o Diabetes mais populares no Brasil. Tenho certeza que quase todos os endocrinologistas (ou até mesmo clínicos) já se depararam com um paciente que diz estar realizando o tratamento de seu diabetes com este “maravilhoso e poderoso” chá (ou mesmo com cápsulas desta planta). Eu mesmo me deparei com um destes pacientes esta semana. E ele foi totalmente enfático: “Doutor, depois que comecei a fazer uso deste chá, meus níveis de glicose baixaram muito.” Depois disso, não tive dúvida: a coluna deste mês seria sobre a Pata-de-vaca.
O nome científico da Pata-de-Vaca é Bauhinia variegata (L.), pertencente a família Fabaceae, subfamília Caesalpinioidea. Esta planta é originária da Ásia, mais precisamente China e Índia. No Brasil, o gênero Bauhinia ocorre desde o Piauí até o Rio Grande do Sul, nas formações florestais do complexo atlântico e nas matas de planalto. Suas flores variam de brancas, róseas, roxo-pálidas até avermelhadas. Além das possíveis propriedades medicinais (que comentarei abaixo), esta planta também é muito utilizada no paisagismo, exatamente pela grande beleza de suas flores. Quanto a origem do nome Pata-de-Vaca, vale a pena comentar que ele é devido ao formato de suas folhas, que, de alguma forma, lembram a pata de uma vaca.
Agora vem a parte difícil da coluna. Embora uma pesquisa na Internet mostre inúmeros sites que comentam as propriedades antidiabéticas da Pata-de-Vaca, a literatura científica não é tão rica assim. Talvez o fato que tenha chamado mais minha atenção é que não existe NENHUM (isso mesmo, NENHUM) estudo clínico avaliando os efeitos do Chá de Pata-de-Vaca em humanos. Os pouquíssimos estudos que temos (na verdade, são apenas 03) investigam apenas seus efeitos em ratos. Esta total ausência de estudos me deixou bem surpreso e, ao mesmo tempo, preocupado, principalmente no que se refere a segurança desta planta. Embora ela possa realmente ter algumas propriedades que ajudem a baixar os níveis de glicose (novamente, demonstradas apenas em ratos), não temos a menor idéia de quais efeitos colaterais podem estar associados ao seu uso. Da mesma forma, não temos idéia de qual a dose mínima e máxima, qual sua possível interação com outros medicamentos para o diabetes e quais outros efeitos ela teria no corpo humano.
Um dos estudos mais interessantes que encontrei foi realizado na Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro). Neste estudo, os autores conseguiram identificar nas folhas da Pata-de-Vaca uma proteína que é estruturalmente parecida com a insulina bovina. Esta similaridade estrutural PODE fazer com que esta molécula, presente no chá, funcione parcialmente como a própria insulina produzida pelo corpo humano. Vale a pena ressaltar que, embora estes resultados sejam extremamente promissores e interessantes, eles apenas mostram que ainda temos muito o que pesquisar antes de começar a utilizá-la para o tratamento do Diabetes. Não sabemos qual a potência desta molécula, qual a dose ideal e, principalmente, qual o risco de hipoglicemia associado ao seu uso. Não sabemos também como ela é metabolizada e quais outros efeitos ela terá no corpo humano. A literatura científica sugere que esta planta pode ter outros efeitos além dos efeitos na glicose e, portanto, muita pesquisa ainda é necessária antes de indicarmos seu uso para o Diabetes ou qualquer outra doença.
Em resumo, parece que, mais uma vez, a cultura popular está correta. A Pata-de-Vaca realmente PARECE ter alguns efeitos benéficos sobre os níveis de glicose. Mas isso não indica que ela deve ser utilizada como medicamento para tratamento do diabetes, seja isoladamente seja combinada com outros medicamentos disponíveis no mercado. Esperamos que mais pesquisas sejam feitas, principalmente em humanos, para que possamos conhecer todos os detalhes desta planta e definir seu real papel no tratamento do diabetes e até mesmo de outras doenças.